A importância da leitura infantil e como formar leitores desde a infância

No dia 18 de abril, comemoramos o Dia Nacional do Livro Infantil. A data marca o nascimento de Monteiro Lobato, um dos primeiros autores brasileiros a dedicar sua obra às crianças. Mais do que uma homenagem, esse dia é um convite: celebrar a leitura, a imaginação e tudo aquilo que começa com uma história.
Muito provavelmente, você iniciou seu percurso leitor ainda na infância. E é difícil falar de literatura infantil sem falar de memórias e afeto.
Talvez você se lembre de clássicos como O Menino Maluquinho, Marcelo, Marmelo e Martelo, Meu Pé de Laranja Lima… ou até dos gibis do Mauricio de Sousa, que marcaram gerações inteiras.
Mas, mais do que os títulos, o que fica são as sensações.
O cheiro do livro.
O tom de voz de quem lia.
O lanche que acompanhava aquela página virada.
Você pode até não lembrar todos os detalhes da história, mas dificilmente esquece o que aquela leitura te fez sentir. E, principalmente, quem estava com você naquele momento.
No território da infância, tudo ganha uma importância única. Por isso, gosto de pensar em literatura para as infâncias no plural, porque não existe uma única infância. Existem muitas, feitas de diferentes vivências, encontros e caminhos.
E se eu não tive livros na infância?
Se os exemplos acima não representam a sua história, tudo bem. Essa também é, em parte, a minha.
Eu não fui uma leitora desde criança. Não me lembro de ganhar livros como presente ou de frequentar livrarias. Mas ainda assim, as memórias encontraram seus caminhos.
Lembro, por exemplo, da minha mãe lendo trechos de Éramos Seis para mim. Lembro de folhear listas telefônicas — sim, elas mesmas. Era esse o meu contato com esse objeto que hoje ocupa um lugar tão importante na minha vida.
E isso me ensinou algo valioso: a formação leitora também acontece nas frestas.
Mesmo sem acesso amplo aos livros na infância, isso não me impediu de me tornar leitora na vida adulta. Mas, como professora há mais de uma década e, mais recentemente, mãe , eu sei o quanto o acesso, desde cedo, pode facilitar e transformar esse caminho.
Porque leitura não é só um presente que se dá.
É uma presença que fica.
O papel de quem media
E então surge a pergunta: como construir, junto com as crianças, esse encontro com os livros?
As sugestões podem parecer óbvias, e talvez sejam mesmo. Mas o óbvio também precisa ser dito.
🔸 Leia você também
A criança te vê lendo? O desejo pela leitura nasce muito mais do exemplo do que da exigência — e você provavelmente já percebeu isso.
🔸 Leia com a criança
Mesmo antes da decodificação, ela lê o mundo: as imagens, a sua voz, suas expressões. Como já dizia Paulo Freire, “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”.
🔸 Converse sobre os livros
Livro pode ser tema de café da manhã! Leitura também é troca. Como aponta Cecília Bajour, falar sobre o que lemos é uma forma de voltar ao texto e descobrir coisas novas nele.
🔸 Escute de verdade
Não é uma prova. Não é um teste. É encontro e escuta sensível. Escutar uma criança exige presença e abertura, inclusive para aquilo que foge das nossas expectativas.
🔸 Frequente espaços de leitura
Bibliotecas, livrarias e espaços culturais também formam leitores. Segundo Colomer, “uma razão que nos impede de ir a um lugar é a insegurança de não ter estado nele antes e não saber como transitar”. Portanto, leve as crianças; mostre que aquele espaço também é delas.
Dicas para começar hoje
Sei muito bem que as possibilidades são inúmeras e, muitas vezes, ficamos perdidos sem saber por onde começar. Então, hoje preparei um pequeno acervo afetivo para te ajudar. Espero que algum título desperte a sua curiosidade e encontre espaço na sua rotina, na sua casa ou na sua sala de aula.
- A Caçada – Guilherme Karsten
- A Menina Cláudia e o Rinoceronte – Ferreira Gullar
- Chupim – Itamar Vieira Junior e Manuela Navas (ilustrações)
- Como Começa? – Silvana Tavano e Elma (ilustrações)
- Kabá Darebu – Daniel Munduruku e Maté (ilustrações)
- O Piquenique do Gildo – Silvana Rando
- O que você pensa quando falo África? – Lavínia Rocha e Letícia Moreno (ilustrações)
- Ou isto ou aquilo – Cecília Meireles
- Pedra – Filipe Macedo e Luci Sacoleira (ilustrações)
- Quem Soltou o Pum? – Blandina Franco e José Carlos Lollo (ilustrações)
- Tem Um Gato no Frontispício – Sofia Mariutti e Vitor Rocha (ilustrações)
- Você Troca? – Eva Furnari
Referências (para consulta)


