9º LUGAR – Café do Chico não Costuma Faiá!
Lê
➔ Café do Chico não Costuma Faiá!
EDITORA CitadelHá livros que a gente lê rapidamente e esquece na semana seguinte e há aqueles que acabam virando companhia, ficam por perto, sobre a mesa, esperando o momento certo para abrir uma página e respirar um pouco melhor. Café do Chico não Costuma Faiá! , de Juliano Pozati, pertence claramente a essa segunda categoria. A experiência de leitura lembra muito aquele instante silencioso da manhã, quando o café acabou de passar e a casa ainda está calma. É um momento simples, mas cheio de significado. O próprio título já entrega o espírito da obra, com seu tom carinhosamente popular, ecoando o famoso verso “a fé não costuma faiá”; o livro se aproxima do leitor sem formalidade, como uma conversa em volta da mesa da cozinha. A proposta de Pozati não é colocar Chico Xavier em um pedestal distante, mas trazer sua sabedoria para perto da vida cotidiana, como se o leitor fosse convidado a tomar um cafezinho enquanto escuta um conselho amigo. Inspirado na vida e na mensagem do médium mineiro, o livro apresenta 365 reflexões curtas, uma para cada dia do ano. À primeira vista pode parecer apenas uma coletânea de pensamentos, mas logo fica claro que há algo a mais ali. Cada página funciona como uma pequena pausa no ritmo acelerado do cotidiano, um convite para olhar para dentro, respirar e reorganizar o pensamento antes de seguir adiante. A leitura é leve e direta, sem linguagem complicada nem sermões. Em poucas linhas, cada mensagem consegue abrir espaço para reflexão, serenidade e, às vezes, até um sorriso silencioso de reconhecimento. São palavras que chegam como chegam os bons conselhos, simples, mas na hora certa. Talvez por isso o livro funcione tão bem para quem tem uma rotina corrida, mas não abre mão de cuidar da própria paz interior. Outro detalhe encantador é que não existe uma forma única de ler o livro. A própria introdução sugere abrir uma página ao acaso. E é curioso como, muitas vezes, a frase encontrada parece conversar exatamente com o momento que estamos vivendo. Surge então aquela sensação quase mágica de que “não é você quem lê o livro, é o livro que lê você”. Essa sincronicidade transforma a leitura em um pequeno diálogo interior. Parte do mérito está na maneira como Juliano Pozati organiza e apresenta essas reflexões. Chico Xavier sempre foi conhecido por falar de espiritualidade com simplicidade, com aquele “cheiro de terra molhada” que aproxima o sagrado da vida comum. Pozati preserva essa essência e também amplia a conversa, conectando a sabedoria espiritual a ideias contemporâneas sobre consciência, mente e energia humana. Em vez de teorias complexas, ele mostra como valores como amor, empatia e humildade continuam profundamente atuais. Nesse sentido, o amor, tema central da mensagem de Chico, aparece não apenas como sentimento, mas como uma verdadeira força de conexão entre as pessoas. O autor chega a chamá-lo de uma espécie de “linguagem quântica” que une todos os mundos. A expressão pode soar ousada, mas, na prática, o que o livro faz é lembrar algo muito simples: pequenas atitudes de cuidado e compreensão ainda são as formas mais profundas de transformação. Sem pretensão de grandes revelações espirituais, a obra cumpre um papel mais delicado e, talvez, mais necessário: acompanhar o leitor. Café do Chico não Costuma Faiá! não é um livro para ser devorado em poucas horas, mas um companheiro para deixar na mesa de cabeceira, ao lado da garrafa de café ou naquele cantinho onde a vida desacelera por alguns minutos. E talvez esteja justamente aí o seu maior mérito. Em dias em que a ansiedade bate à porta e a rotina insiste na pressa, abrir uma dessas páginas por dois ou três minutos funciona como um pequeno respiro. Um gole de calma no meio do dia. Como o café da manhã que desperta o corpo, só que, neste caso, quem desperta é a alma. No fim das contas, a sensação que fica é a de ter conversado com um velho amigo, daqueles que falam pouco, mas dizem exatamente o que precisava ser ouvido. E, como promete o título, esse cafezinho espiritual realmente não costuma falhar.