Nos 250 anos de Jane Austen, Orgulho & Preconceito se prova atemporal

Ana Clara Parreiras

Se você gosta de romances de época — daqueles cheios de encontros sociais, olhares contidos e amores que crescem devagar — Orgulho e Preconceito é uma leitura obrigatóriaaa! É o tipo de história que mostra como o romance pode ser construído não por meio de gestos dramáticos ou cenas grandiosas, mas pela delicadeza das palavras e pela observação.

Ao completar 250 anos do nascimento de Jane Austen, a leitura desse romance ganha ainda mais sentido, porque a força da obra está justamente na clareza com que a autora observou a sociedade em que vivia.

Eu demorei para pegar esse livro — e hoje não sei como vivi tanto tempo sem ele. Entrou de imediato no meu top 5. Eu ri, senti raiva, me emocionei, vibrei com cada avanço do casal e morri de rir com as confusões da família Bennet.

O romance acompanha Elizabeth Bennet, uma jovem inteligente, irônica e muito consciente do seu lugar no mundo, ainda que limitada pelas expectativas impostas às mulheres da Inglaterra do século XIX. Ela é a segunda de cinco irmãs, todas pressionadas pela família — principalmente pela mãe — a encontrarem um “bom casamento”.

É nesse cenário que a chegada do rico Mr. Bingley e de seu amigo Mr. Darcy movimenta não apenas a vizinhança, mas também o destino das irmãs Bennet.

A autora estrutura a narrativa em diálogos rápidos e encontros sociais que revelam, aos poucos, o caráter de cada personagem. Elizabeth se encanta com a leveza de Bingley, mas se irrita imediatamente com a postura distante e aparentemente arrogante de Darcy. Para piorar, deixa-se influenciar pelas mentiras contadas por Mr. Wickham.

A partir desse choque inicial, o título do livro começa a fazer todo sentido: ele é orgulhoso; ela é preconceituosa. O amor entre eles só se torna possível quando cada um enfrenta sua própria falha. Darcy aprende a abrir mão do orgulho; Elizabeth reconhece que julgou mal.

Apesar de se tratar de uma obra clássica, a leitura é surpreendentemente tranquila. Austen usa a ironia e o humor com maestria, e isso torna tudo mais fluido.

Suas sátiras aparecem com clareza, principalmente nas cenas protagonizadas pelo Sr. e pela Sra. Bennet, dois marmotas literários deliciosos, responsáveis por algumas das passagens mais engraçadas do livro.

Esse humor não é gratuito. Austen o utiliza para revelar, com elegância, os comportamentos e as contradições da sociedade inglesa da época.

À primeira vista, muitos personagens parecem caricaturas: Lydia, impulsiva; Mr. Collins, bajulador; Lady Catherine, autoritária. Mas, com o avanço da história, fica evidente que Austen constrói essas figuras de forma estratégica. Os exageros servem para expor tensões sociais e revelar camadas mais profundas de personalidade.

A única que escapa disso é a Sra. Bennet — essa, sim, exagerada do início ao fim, e é quase impossível não rir da forma como reage ao mundo.

Agora, o ponto central: o romance entre Elizabeth e Darcy. É impossível não comentar o slow burn. Ele é muito lento. Mesmo para quem ama esse tipo de narrativa, Austen consegue esticar cada detalhe ao máximo. Aqui, não há migalhas — há farelos. Mas foram esses farelos que me alimentaram o suficiente para me apaixonar pelo casal.

O mais incrível é que tudo acontece sem um único beijo. A química está presente nos diálogos, nos mal-entendidos, nos olhares desviados, nos gestos que surgem quando as palavras faltam. É a construção de um amor maduro, algo raro até mesmo na literatura contemporânea.

Outro destaque é a relação entre Elizabeth e seu pai. O Sr. Bennet, apesar das falhas e do humor ácido, tem com ela uma proximidade carregada de carinho. Austen mostra isso de forma sutil, mas marcante. É um vínculo que explica a lucidez de Elizabeth e sua dificuldade em aceitar qualquer homem que não estivesse à altura de seus princípios.


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